sábado, 26 de junho de 2010

Janela


Da minha janela vejo os carros passando, as crianças brincando, as árvores florescendo, as pessoas andando, a vida seguindo seu curso normal de todos os dias. Uma paisagem de constantes mudanças.

Gosto de admirar o céu por volta da meia-noite, quando a cidade está dormindo, porque é no silêncio da madrugada que as coisas acontecem. Muitas vezes, perdida nos meus pensamentos, deparei-me com loucos solitários. Que caminhando sem destino, procuram uma forma de diminuir sua solidão.

Outras vezes, observei casais apaixonados, que aproveitando a escuridão noturna, declaravam seu amor. Mas como nem tudo é perfeito, também vi pessoas dormindo ao relento e algumas fazendo uso de entorpecentes. Uma triste realidade que cada vez é mais comum.

Enquanto uns dormem; outros trabalham. A economia não pode parar. Lutando por seus ideais, vão sobrevivendo nesse mundo capitalista. Na esperança de dias melhores. Contudo, esse dia chegará?

Com os olhos fechados, sinto a brisa tocar minha face. De repente, uma súbita alegria me faz sorrir. Transformando meu semblante e acalmando meu coração. Dando-me força para lutar por meus sonhos.

A madrugada avança e o dia está prestes a amanhecer. Já é hora de dormir.

Srta. Rocha

sábado, 12 de junho de 2010

[Sem título]


Olhando para o céu, procuro respostas para a minha solidão. Caminhando ao ermo, vejo minha vida passar. As pessoas se foram ou as fiz partir? Escolhi o meu caminho e não posso desistir.

Ouvindo uma melodia, perco-me em devaneios. Imaginando como seria minha vida se me permitisse sair dessa prisão. Um lugar escuro onde minha única companhia são meus pensamentos.

As reminiscências pioram ainda mais meu estado de espírito. Claustrofóbica. Preciso gritar. Mas quem irá me ouvir? Sem esperanças. Não acredito que terei mais um amanhã. A vela está queimando e em breve se apagará.

Um silêncio cortante. Sozinha... começo a rabiscar um pedaço de papel. Esperando que assim consiga diminuir os tormentos da alma. Organizando em frases o que me faz sofrer.

Olhos vermelhos e inchados, consequências de uma enxurrada de lágrimas. Frente ao espelho a imagem da desilusão. Sem minha máscara sou apenas uma garota tímida e frágil.

O cansaço está me vencendo. Já não posso manter-me acordada. A luz está ficando mais distante. O martírio diário está terminando...

Srta. Rocha

terça-feira, 1 de junho de 2010

Flor de Outono


Triste e solitária assim é a flor outonal. A última que restou. A que desabrochou quando todas morriam. Apaixonada pela noite. Ela surge imponente no auge da decadência.

Insolente, contrariando as leis da natureza. Mostrando que apesar das adversidades a vida pode existir. Não teme o vento frio. Enquanto as folhas caem, ela encanta os que percebem sua beleza.

Misteriosa... apenas os que conseguirem entender sua essência é que desvendarão os seus segredos. Mas só um terá o privilégio de adentrar no âmago dessa flor.

Seu charme é envolvente. Seu perfume é inebriante. Suas características são inefáveis. Mesmo vivendo ao ermo desperta curiosidade por não ser corrompida. Uma flor singular.

Não é encontrada facilmente, visto que nem todos têm a sensibilidade necessária para se dar conta de que estão diante da verdadeira Flor de Outono.

Os dias decorrem e ela caminha para o destino que se aproxima: o fim da estação. Todavia, ano que vem ela está de volta. Muito mais linda e bela. Desfazendo essa imagem sombria do outono.

Srta. Rocha