terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Twenty-one



Pois é, já se passaram duas décadas e parando para pensar tantas coisas me veem à cabeça. Quantas mudanças aconteceram em apenas 21 anos. Aquela menina acanhada e desconfiada tornou-se uma mulher independente e obstinada. Aprendeu com os erros. Viu que a caminhada da vida pode ser bem melhor ao lado de alguém com os mesmos objetivos.

Até os meus quatro anos de idade, lembro-me de ser uma criança que gostava de estar arrumada e perfumada, com os lábios pintados de vermelhos do batom da minha mãe. Já aos seis, adorava correr, jogar bola e me pendurar nas coisas como um verdadeiro menino. Minha mãe não gostava nada da ideia, pois queria que eu fosse bailarina, mas desde pequena sempre demonstrei que isso não era para mim.

Minha infância foi marcada por muitas mudanças de casa e escola (minha mãe deve ter descendência nômade, porque nunca vi gostar tanto de mudar de casa, rs). Apesar desse vai pra lá vem pra cá, estudei em boas escolas. Fiz muitos amigos, ou melhor, colegas, já que essas amizades só duravam até o fim do ano letivo.

Talvez a pior fase da minha vida tenha sido a adolescência, ah não, eu tenho certeza que foi a pior. Não bastava o seu corpo está em frequente mudança, o seu humor oscilando mais que as estações do ano. Parece que tudo conspirava para que fosse um caos. Bem nessa época você começa a ter aquelas paixonites agudas que pensa que nunca vai passar. É algo tão rápido que na semana seguinte está apaixonada por outro e assim vai.

Tudo é tão intenso! Tão necessário! Tão influenciável!  Se não fizer isso, os meus amigos zombarão de mim... Ah, porque fulana de tal não é mais B.V. (a famosa sigla de boca virgem). Entre tantas outras coisas. Depois você analisa e vê que nada disso fez diferença na sua vida, que foi somente algo momentâneo, feito para agradar aos outros e não porque você queria fazer.

Aos 18 anos, quis fazer tudo o que não podia quando morava com minha mãe. Literalmente, eu fiz. Mas nada parecia me satisfazer por completo. Saía com os amigos, enchia a cara e não me lembrava de nada no dia seguinte. Eu tinha o álcool como uma companhia para me fazer esquecer tudo o que me transtornava. Durante quase um semestre fiquei nessa vida de semi-alcoólatra.

O ano seguinte foi mais tranquilo, teoricamente. Comecei a estagiar e realmente a entender o que aprendia na faculdade. Foi um ano de muito aprendizado, paciência e superação, porque as cobranças no estágio eram muitas e estudar numa instituição pública em greve não é nada fácil. Mesmo assim eu me esforçava para conseguir boas notas e prosseguir com o curso até o fim.

 Ah, os meus 20 anos... Os melhores! Dedicados a minha vida profissional. Comecei a consolidar minha carreira no turismo. Olha só, quem diria que um dia eu faria carreira no turismo. Uma pessoa tão inclinada às ciências exatas se dando bem nas humanas. Sobressaindo-se em tudo que tomava conta. Mostrando aos seus superiores que tinha capacidade de desenvolver aquele projeto.

Como era de se esperar de uma aquariana, nunca estou satisfeita com o que tenho e por isso, abri mão da estabilidade que tinha no emprego para traçar novos rumos. Para minha sorte, mais uma vez fui bem-sucedida. Estou numa empresa onde tenho possibilidade de crescer na carreira.

Agora aos 21, percebo o quanto estou mais experiente e sensata, apesar da pouca idade. O tempo me fez mais observadora. Não julgo mais um livro apenas pela capa. Hoje acredito que os meus atos são decisivos para o meu futuro.  É traçando metas que se consegue alcançar um objetivo maior.

Srta. Rocha