domingo, 21 de dezembro de 2014

Deixe ir


Durante muito tempo vivi uma vida que não era minha. Eu estava presa, mas não era por correntes. Eu me sentia limitada, mas não era por falta de oportunidade. Eu me sentia infeliz, mas não sabia o porquê. Havia um vazio dentro de mim que não podia ser preenchido. Procurava as respostas para os meus questionamentos, contudo, a cada resposta uma dúvida nova surgia. Até que ponto devemos suportar uma situação por comodidade? Até que ponto devemos nos doar em prol da felicidade alheia?

Pois é, eu estava sem rumo. Nada mais fazia sentido. O aperto que eu sentia no peito aumentava mais e mais. Era sufocante. Eu queria gritar. Eu queria arrancar aquilo de mim. Aí era pior! Eu entrava em desespero. Começava a chorar convulsivamente. Me culpava por estar naquele estado. Como alguém que – tinha tudo – poderia estar nesse desequilíbrio total?

Aos poucos ia afundando nos mares da depressão. Já não queria mais sair de casa. Passava o fim de semana dormindo. Sem vontade de fazer nada. Tudo me irritava. Não tinha paciência nem para fingir ser agravável. Queria ficar no meu cantinho sem que ninguém me incomodasse. Simplesmente insuportável.

Um dia, depois de um acesso de histeria, me olhei no espelho e falei: – “O que eu estou fazendo da minha vida?” Meus olhos estavam vermelhos e inchados. Meu rosto todo molhado. Meu cabelo bagunçado. Eu estava definhando. Ali, na frente daquele espelho, estava uma pessoa que eu não conhecia: a imagem da desilusão. Aonde estava o meu sorriso? Aonde estava a minha alegria de viver?

Foi então que eu decidi tomar as rédeas da minha vida. Eu precisava mudar. Eu precisava me achar novamente. Desse repente de lucidez é que veio toda a força para as decisões que eu tomaria logo em seguida. Minha vida saiu da escuridão para ir de encontro à luz. Mas para isso eu tive que fazer escolhas difíceis. Na verdade, aceitar o que já estava claro. Às vezes, as respostas para os nossos problemas estão na nossa cara, mas não queremos enxergar.

Eu queria paz de espírito. Eu ansiava por liberdade. Era isso que o meu coração queria me dizer esse tempo todo. Então era hora de deixar ir. Abrir mão de tudo que me prendia. Libertar a alma dessas correntes invisíveis que eu mesma me coloquei. Recomeçar! Porque a cada recomeço temos a oportunidade de fazer melhor. Então, que assim seja!

Srta. Rocha

domingo, 19 de outubro de 2014

Falta de amor para com o próximo


É fato, a natureza humana anseia por ser sociável. É algo que está incrustado em seu ser. Buscam fazer parte de grupos com os mesmos objetivos. Entretanto, no fundo, querem um mundo ideal. Mas ideal baseado em qual concepção? Na minha? Na sua? Na dele? Concepções individualistas.

Realidade confirmada! As pessoas só se preocupam com elas mesmas. Muitas vezes, usando de artifícios vis para conseguirem o que querem. As pessoas usam umas as outras como objetos descartáveis. Hoje são seus amigos e amanhã são seus piores inimigos. Parece ser normal agir assim.

Sociólogos já escreveram sobre a falta de amor para com o próximo. Como as relações humanas são tão superficiais. Quem consegue manter uma relação de amizade duradoura pode-se dizer que é um vitorioso, já que é algo cada vez mais raro. Tantos fatores influenciam essa escassez de amor para com o próximo.

A internet aproximou as pessoas, mas também as separou. Apesar de termos dezenas de amigos nas redes sociais, com quantos, efetivamente nos relacionamos pessoalmente? É preferível manter o contato virtual do que o cara-a-cara, porque atrás da tela é muito mais fácil desfazer uma amizade ou simplesmente, ignorá-la.

As pessoas têm medo de se relacionar. Um medo advindo do receio de serem julgadas ou rotuladas por causa do seu modo de vida, já que o ser humano pode ser algoz. Tudo o que foge aos padrões estabelecidos é considerado anormal. A intolerância ao que é diferente está cada vez pior, tomando proporções inimagináveis.

Em qual momento o mundo se perdeu? Será que não percebemos para onde caminhávamos? Sim, claro que sabíamos. Pois fomos nós que buscamos a evolução. Fomos nós que desenvolvemos a tecnologia. Fomos nós que transformamos o mundo no que ele é hoje. A única coisa que nós não sabíamos era como as pessoas reagiriam a tudo isso.

Faltou discernimento. As pessoas perderam os valores. Esqueceram-se que são seres dotados da capacidade de pensar e estão agindo como animais. Estão buscando o prazer acima de tudo e todos. Sobrevivendo a qualquer custo. É lamentável, mas o lado humano das pessoas está morrendo. O que será de nós?

É hora de pensar antes de agir. De nos colocar no lugar do outro. Deixar de ter um pensamento individualista, egoísta. Amar o próximo como a si mesmo. Independentemente de cor, raça, sexo ou religião. Viva a diversidade de forma aberta, livre de preconceitos.

Srta. Rocha

terça-feira, 14 de outubro de 2014

About some things


Eu desmoronei... senti meu coração sendo esmagado... meus olhos transbordarem... minha cabeça latejar... A dor me sufocava. Afundava em minha cama. Abafando os meus gritos. Eu estava sofrendo!

Eu não conseguia pensar. Eu não queria pensar. Eu queria apenas arrancar aquilo da minha mente. Pelo menos uma vez, eu queria ter um botão de liga/desliga na minha cabeça. Mas os pensamentos insistiam em estar ali.

Cada lágrima trazia consigo uma lembrança. Eram lembranças boas de um passado não tão distante. Que, entretanto, naquele momento, me torturavam. Quanto mais lembrava, mais chorava. Eu não conseguia controlar.

Enfim, era um mal necessário! Eu precisava passar por isso. Fazia parte do processo de aprendizado. Ali, absorta na dor, não enxergava o significado de tudo aquilo. Era mais fácil acreditar no fim do que no começo de algo maior.

A tristeza tem dessas coisas. Cega-nos. Deixa-nos vulneráveis. Fazendo-nos acreditar no que é menos doloroso, mas que nem sempre é verdadeiro. Porém, nesse momento, era o que eu mais queria. E assim, acreditando que era tudo culpa minha, adormeci.

Srta. Rocha

domingo, 10 de agosto de 2014

Talvez


Talvez você nunca saiba o que eu senti
Talvez você nunca entenda o porquê
Talvez um dia você queira saber
Talvez um dia você nem se lembre de mim
Talvez tenha sido só um sonho
Talvez tenha sido mais uma ilusão
Talvez eu consiga esquecer
Talvez eu consiga seguir em frente
Talvez a dor passe
Talvez as lágrimas parem
Talvez eu possa sentir novamente
Talvez eu possa viver sem você
Talvez a culpa seja minha
Talvez a culpa seja sua
Talvez a culpa não seja de ninguém
Talvez tenha sido medo
Talvez tenha sido insegurança
Talvez não tenha sido nada
Talvez eu tenha inventado tudo isso
Talvez eu quisesse isso
Talvez, talvez, talvez...

Talvez essas dúvidas nunca tenham fim.

Srta. Rocha

sábado, 26 de julho de 2014

Entrelinhas


Ouve uma música repetidamente. Seu coração está apertado. Doendo. As lágrimas vão caindo de seus olhos. Não deveria ter acumulado tanto sofrimento. Agora, estão todos aí lhe perturbando lentamente. Não bastasse isso, as comparações com situações passadas são inevitáveis. Como não percebeu o mesmo padrão?

Culpar-se não fará você se sentir melhor. Até porque, como saber se a culpa foi sua? Mas não adianta. Não consegue entender. Só pensa na dor que está sentindo. Quer arrancar esses pensamentos da sua cabeça. Apagar a lembrança dos últimos dias. Esquecer que mais uma vez se deixou levar pelas emoções.

Sente como se tivesse perdido o chão. Os planos deram errado. Estava confiante. Sentia que algo diferente estava acontecendo. Mas não, não estava. Estava somente se iludindo. Acreditando em palavras que nem sabia se eram verdadeiras. Não podia ser real. Entretanto, envolveu-se tanto, que nem percebeu.

Precisa de um lugar para espairecer. Talvez, ficar longe por um tempo, ajude a acalmar os sentimentos. A pensar mais claramente. Libertando-a assim, dessa tristeza.

Srta. Rocha

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Rupturas


É um momento de rupturas. De romper as barreiras que limitam a alma. Chegou a hora de repensar alguns conceitos. Utilizar outros parâmetros. Na constante busca pelo autoconhecimento percebe-se que, às vezes, as mudanças são necessárias para adaptar-se ao meio. Sempre levando em consideração o tempo.

Assim, a máxima é verdadeira: tudo tem seu tempo. Não se pode pular uma etapa, pois o resultado final é alterado. Tanto as coisas como as pessoas têm ritmos diferentes. Uns são mais agitados; outros mais sossegados.

O ritmo frenético das metrópoles faz com que o tempo se exaure rapidamente. Não se sabe o que é dia ou noite; cedo ou tarde; início ou fim. Mas como lidar com essas ambivalências na brevidade da vida? Por meio da paciência ou da resiliência?! Mais uma questão sem resposta.

Talvez, o comodismo impeça que a mudança aconteça. Porque há uma linha muito tênue entre a alegria e a tristeza. A zona de conforto é tão excitante. Age como uma droga entorpecendo a mente. Quando dá por si está na estagnação. Eis que surgem os questionamentos.

Tudo é passível de indagação. Porque são esses instantes de desequilíbrio que fazem a pessoa acordar para a vida. Analisar mais detalhadamente a situação. Ver que há mais de um ponto de vista. A vida não é o problema e sim quem se faz de vítima. Nem sempre o que acontece de errado é culpa de quem praticou, mas de fatores externos que não podem ser controlados. Muito menos, previstos.

A maturidade é a chave para enfrentar essas adversidades. Entretanto, maturidade não é sinônimo de ter muita idade. Mas sim, de observar a situação como um todo, analisar as partes envolvidas, refletir sobre o apurado e só depois dar o parecer. O que muitas vezes não pode ser feito de imediato.

É normal querer um tempo para refletir sobre a vida. Faz parte do processo de autoconhecimento. Por mais que se tenha um plano, às vezes, as coisas desandam. Não se pode controlar tudo. Os imprevistos estão aí para provar isso. O que não dá é desanimar.

É preciso estar aberto ao novo. À primeira vista, ele assusta. Contudo, deve-se vê-lo como uma oportunidade; não como uma ameaça. A cada recomeço tem-se a possibilidade de ser melhor do que antes. A ruptura não significa, necessariamente, perder algo, mas ajustar o que não satisfaz mais.

Srta. Rocha

sábado, 24 de maio de 2014

Apenas mais um relato



Entorpecida em seus pensamentos. Vagando por entre ideias. Procurando respostas. Tentando entender. Perdida num labirinto de possibilidades. Qual o sentido disso tudo? Silêncio! Precisa se concentrar. Buscar na memória os fatos. Quer saber em qual momento se desencaminhou.

Mas, nada mais faz sentido! Está tudo tão confuso. Sua cabeça gira. Sente-se fora de si. Quer voltar para a escuridão da solidão. Excluir-se de tudo. Porém, qual a diferença? Não se encaixa em nada mesmo. Não pertence a lugar nenhum. Quem sentiria a sua falta?!

As coisas são tão momentâneas! Sobrevive mais do que vive. Não tem mais aquele brilho no olhar. A vontade há muito tempo se esvaiu. Agora só observa. É sempre muito indiferente. Como se nada fosse tão interessante a ponto de lhe despertar a atenção. Mas aonde chegará agindo assim?

Sente-se cansada! Desanimada! Desmotivada! Sua criatividade desvaneceu. Seus sentimentos estão aprisionados. Busca uma válvula de escape. Mas é em vão. Está prestes a explodir! Mas quem montará o quebra-cabeça? Alguém será capaz de entender seus sentimentos?!

Aí está o X da questão! Nunca, ninguém demonstrou se importar. Nunca, ninguém quis saber o porquê dela ser assim.  Então, cresceu desse jeito. Insensível. Não confiava em ninguém. Entretanto, quando permitia uma aproximação era enganada, usada e depois descartada. Sentia-se como um objeto que perdeu o valor!

Mesmo tendo passado algum tempo, sente que nada mudou. A paisagem é outra, mas os personagens não. As situações são as mesmas. É como se vivesse um eterno déjà vu. Um vai e vem de tristes lembranças com pequenos lapsos de alegria.

Chega! Não aguenta mais relembrar. Quer descansar. Seus olhos estão se fechando. Precisa dormir. Absorver toda essa informação. Lá se vai para mais um pesadelo!

Srta. Rocha

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Tempestade


A tempestade chegou devastando tudo. Levando consigo toda a esperança. Deixando apenas a dor e desilusão. Suas águas fortes e constantes alagaram tudo. Quando secou, descobriu feridas que estavam escondidas.

Cada lembrança. Cada momento. Cada sentimento. Expostos sem sua cobertura de proteção. Nervos à flor da pele. Trazer aquilo à tona, agora, não era esperado. Muito menos desejado. Era o início do caos. Um turbilhão de pensamentos. Ideias conflitantes!

Como lutar contra o que é próprio de si? Como esquecer o inesquecível? Não, não é possível! É preciso encarar. Dar a cara a tapa. Enfrentar o que não pode mais ser adiado. Covarde! Por que insistes em fugir? Não vê que não há para onde ir? Seu tempo se esgotou. Uma hora ou outra isso aconteceria. Era previsível. Aceite! Será melhor para você e todos ao seu redor.

Tenha isso como lição. Aprenda com os erros do passado. Veja que há males que vem para o bem. Talvez, essa foi a maneira que o destino encontrou de mostrar-lhe que rumas no caminho errado. Preste atenção nos detalhes. Ali está a resposta para os seus problemas.

Srta. Rocha