domingo, 17 de maio de 2015

À deriva


Vive à deriva. Esperando por um naufrágio. Nada mais faz sentido para ela. As cores se foram e no lugar ficou apenas a escuridão. Adentrou o âmago da dor e de lá não quer mais sair. Faltam-lhe forças para lutar. Na verdade, uma causa.

Não sabe como chegou aí. Mas foi ficando. Era um refúgio para a alma. Um lugar só dela. Onde ninguém podia transpassar. Enganara-se ao pensar que os pesadelos não pudessem achá-la. Cada dia uma reminiscência ia visitá-la. Fazendo com que a sutura se abrisse.

Em poucos dias, lá estava a ferida sangrando novamente. Tentou remendar os pedaços, contudo, era em vão. Dessa vez, seria preciso achar a razão do problema ao invés de apenas ignorá-lo. Entretanto, doía muito trazer à tona essas lembranças. Assim, se arrastava.

Procrastinar não adiantou muito. Assim como fantasmas que surgem das sombras, suas perturbações estavam ali. Uma a uma na sua frente. Havia chegado o dia de enfrentá-las. Mas ela não sabia o que fazer. Foi então, que desabou! Afundou em suas próprias lágrimas.

Está acorrentada ao passado. Na esperança de que apareça alguém para tirá-la desse martírio.

Srta. Rocha

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