domingo, 26 de julho de 2015

Inacabado [...]


Essa noite eu sonhei com você. Sonhei que você me olhava de longe na expectativa de saber como eu estava. Por muito tempo ficou ali do outro lado da rua. Me olhando. Observando meus passos. Eu não sabia se falava com você ou não. Afinal, havia se passado tanto tempo desde a última vez que nos falamos e as coisas não tinham terminado muito bem. Mais da minha parte do que da sua, porque eu sempre tive muitas coisas na cabeça. Sempre imaginei muitas situações que, na verdade, nunca aconteceram, mas que eu insistia em acreditar. Talvez como uma forma de aceitar o seu silêncio.

Essa dúvida martelava na minha cabeça. Um misto de orgulho com insegurança. Relembrava todos os momentos que passamos juntos. Assim como todo o sofrimento vivido com o seu afastamento. Contudo, meu coração pulsava acelerado como se quisesse me falar algo. Enquanto travava essa batalha interna, pensava em todas as perguntas que estavam sem resposta. Que talvez aquela fosse a hora de obtê-las. Você estava tão perto. Bastava apenas um pouco mais de coragem para colocar um ponto final em toda essa angústia. Após muito relutar, fui ao seu encontro.

O caminho parecia interminável. Meus pensamentos diziam que eu não deveria fazer isso, porém ao me aproximar, você abriu aquele sorriso que sabia que eu adorava. Nesse instante, a barreira que eu havia construído para me proteger de você veio ao chão. Não conseguia mais controlar a emoção por estar perto de você. Era como se nada tivesse acontecido. Você estava ali me olhando com aqueles olhos encantadores. Visivelmente feliz em me ver. E antes que eu pudesse pronunciar qualquer palavra, eu acordei e assim o sonho se desfez. Mais uma vez inacabado. [...]

Srta. Rocha

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Último ato!


Esqueça a estética. Foda-se o que vão pensar. Mas preciso escrever isso num último ato para te enterrar de uma vez por todas no meu passado. É claro que eu ainda penso em você, no entanto, as suas lembranças não me machucam mais como antes. Já consigo conversar com você sem que as lágrimas me venham aos olhos. Durante muito tempo reprimi esse sentimento num esforço inútil de não cutucar a ferida. Mas ela insistia em sangrar. Não havia remédio que fizesse estancar. Confesso que cheguei ao fundo do poço. Vivi dias terríveis. A tortura psicológica era muito grande. Contudo, não era você quem me tortura e sim eu mesma. Eu me culpava por tudo que tinha dado de errado no nosso relacionamento. Me sentia um fracasso por não ter dado certo. Em acessos de fúria, sentia raiva de você por não ter lutado por nós. Enquanto eu afundava na depressão, você estava seguindo a sua vida, sendo feliz. E eu me perguntava: "Como ele me esqueceu tão rápido?" "Será que era amor o que ele sentiu por mim?" Sim, ele me amou, assim como eu o amei, mas esse amor chegou ao fim. Isso mesmo, o amor acabou! Finalmente eu havia entendido que não valia a pena me lastimar. Um ciclo terminava e eu precisava seguir em frente. Às vezes, temos que reconhecer a hora de desistir. Eu já estava desgastada emocionalmente o suficiente. Havia chegado o momento de me recuperar. Aos poucos estou retomando a minha alegria de viver. As mudanças já são perceptíveis. Não tardará a chegar o dia em que tudo isso será apenas parte do meu passado, pois não há sofrimento que dure para sempre. Então, adeus! Foi bom enquanto durou.

Srta. Rocha