sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

O amor


Um substantivo abstrato. Um sentimento controverso. Um estado de espírito que, muitas vezes, nos torna irracional. Mas qual seria a essência do amor? Muito já se falou. Muito já se escreveu. Contudo, a única forma de entendê-lo é sentindo-o. Porque o amor é diferente em cada pessoa. Não tem um padrão a seguir. Com o passar dos anos, percebemos como ele é mutável até mesmo para nós. O tempo me fez entender que amor é querer ver o outro feliz, mesmo que você não faça parte dessa felicidade. É deixá-lo livre para que se sinta em plenitude. É um sentimento de paz em meio ao caos.

Srta. Rocha

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

O tempo é a resposta!


Eu nunca pensei que pudesse sentir a liberdade na cidade grande. Para mim, liberdade era o vento batendo no rosto em contato com a natureza. Entretanto, eu levei muito tempo para perceber que eu posso ser livre aonde eu quiser e estiver. Basta eu me permitir. Porque o tempo é a resposta. O que você faz dele é o que te torna livre ou prisioneiro. E eu não digo prisioneiro no sentido literal da palavra. Quantas correntes invisíveis nos prendem? Quantos obstáculos colocamos no caminho? A felicidade pode estar na fração de segundo que nossos olhos se encontram. No instante que nossos lábios se tocam. Ou apenas no silêncio dos seus braços. Não importa que seja somente hoje. Somente agora. O que realmente importa é sentir o sangue correndo nas veias. O coração batendo mais rápido. Sentir-se vivo!

Srta. Rocha

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Nem toda história tem começo, meio e fim


Aprende-se na escola que toda redação tem que ter introdução, desenvolvimento e conclusão, assim como os contos, as crônicas, os romances e afins. Contudo, na vida real as coisas não são desse jeito. Tem história que acaba antes mesmo de começar; enquanto outras se arrastam no desenvolvimento por não saber como concluir e algumas vezes você nem sabe que faz parte de um enredo. Será culpa do autor? Ou de suas personagens instáveis e imprevisíveis? Não há técnica que ensine a escrever a vida. Ou borracha que apague os erros. O que significa que não há rascunhos. Tudo é versão final. A única coisa que pode-se fazer é melhorar a cada história e entender que até mesmo as entrelinhas tem muito a dizer.

Srta. Rocha

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Monólogo sobre a importância que damos a coisas irrelevantes


Passei o dia incomodada. Pensamento vagando desconexo. Mas havia algo que se repetia. Era apenas uma foto. Uma entre tantas outras que teria passado despercebida se não fosse o astigmatismo. Ah, maldita hora que a visão ficou embaçada e me fez olhar novamente.

Entretanto a questão é: se era algo irrelevante, então por que me roubou os pensamentos? A possível resposta está no contexto em que se encaixa essa foto. Às vezes, me arrependo de ter uma memória boa para coisas que não acrescentarão nada na minha vida. Além de ter uma mente exímia em criar estórias.

Desabafo à parte, o que quero entender é por que damos importância a coisas irrelevantes? A minha teoria é que isso está ligado ao nosso estado de espírito. Preste atenção! Esse tipo de coisa costuma acontecer quando estamos de mau humor. É como se estivéssemos predispostos a potencializar infimidades. Ou o que chamamos de “fazer tempestade num copo d’água”.

Mas o pior disso tudo é procurar argumentos que justifiquem tal comportamento. Não há uma explicação lógica. Nada do que se pense, ou que se faça mudará a situação. Talvez aceitar seja a melhor (e única) alternativa. Por mais que seja difícil. Deixar que um sentimento negativo tome conta de nós é prejudicial à saúde.

Então, esqueça! Finja-se de desentendido. Não dê audiência para algo que nem vale o pensamento.

Srta. Rocha

sábado, 30 de abril de 2016

Dualidade


Eu que sempre caminhei entre abismos não imaginava que pudesse cair. Sabia dos limites. Mas não das consequências. Foi quando tudo ficou escuro. Talvez eu já tivesse indícios de que, cedo ou tarde, cruzaria a linha. Contudo, insistia em brincar com a sorte. É que os dois lados eram tão excitantes. As possibilidades que me ofereciam eram tão irrecusáveis. Contrapondo todos os pontos, era inevitável não escolher um dos dois. Eu estava cansada de nadar contra a maré. Então me deixei levar. O que eu tinha a perder? Nada! De tanto me ausentar só me restou o vazio. Agora esses ecos vagam na escuridão. Deixando apenas um borrão. Lacunas que nunca serão preenchidas. Ainda que houvessem respostas.

Srta. Rocha

sábado, 26 de março de 2016

Corte os laços


Não se prenda ao passado. Nem espere pelo futuro. Viva o agora. Sinta o ar entrando pelos seus pulmões. Você está vivo. Eu sei que as lembranças doem. Eu sei que a caminhada é tortuosa. Ninguém disse que seria fácil. Olhe para o céu. Mesmo com nuvens é possível ver estrelas. Não perca a esperança de dias melhores. Encontre um motivo para sorrir. Não se deixe contaminar pelo negativismo alheio. Chore, se preciso for. Mas não seja vítima de si mesmo. Solte as amarras. Elimine tudo que lhe faz mal. Sejam pessoas ou coisas. Você é livre para escolher.

Srta. Rocha

sábado, 19 de março de 2016

Negação!


Talvez a pior parte de aceitar o fim é entender que ele chegou. Na verdade, você não quer aceitar o que está escancarado. Então prefere pensar que é uma fase. Conforma-se com a ausência. Satisfaz-se com as migalhas. Abre mão das suas vontades. Tudo porque acredita ser o certo.

Não questiona, porque não quer pressionar. E aí é consumido pelas dúvidas. São tantas perguntas e nenhuma resposta. Apenas suposições que não levam a lugar nenhum. Mas ainda assim, você pensa que vai passar. Que é normal. Pois tendemos a imaginar coisas. A procurar problemas onde não existe.

Até que num dia, despretensioso, surge algo. Suas certezas caem por terra. Seu lado racional lhe diz: - eu avisei! Enquanto que o seu coração, está aos prantos. E você não sabe o que fazer. Sente ódio. Uma fúria que nunca imaginou ter. Enquanto que ao mesmo tempo, quer apenas um lugar para se reconfortar. Para juntar os cacos da sua ilusão.

Infelizmente não há! Você precisa enfrentar. Não há para onde fugir. O que mais você quer? Está tudo aí. É irrefutável. Não adianta buscar argumentos. Não há embasamento para isso. Aceite! Acabou! É o fim! Quantos adjetivos você precisar para entender isso? Será que não está suficientemente claro para você?

Negue. Recuse-se. É um direito seu. Mas não se abstenha dos fatos!

Srta. Rocha

quarta-feira, 16 de março de 2016

Minha perdição


Seus olhos nos meus
Cada vez mais perto
Sinto sua respiração
Meu coração acelera
De súbito, o encontro.

Me desfaço em seus braços
Me entrego aos seus desejos
Faça de mim o seu ensejo
Não adianta resistir
Pois já chegamos até aqui.

Nossos corpos entrelaçados
Nesse ritmo descompassado
Completamente inebriados
Dessa sensação
Que é a perdição. 

Srta. Rocha

terça-feira, 8 de março de 2016

Des-construção


“Nada é estático. Tudo está desmoronando.” já dizia Tyler Durden, em Clube da Luta. Assim, eu vou me desfazendo de todos os conceitos obsoletos. Desconstruindo todas as ilusões. Porque é necessário chegar ao fundo do poço para enxergar a luz. Tão palpável quanto a dor é a certeza da sua dissolução. Contudo, a cada estágio perde-se um pedaço de si. Na tentativa de suturar, expõe-se mais a ferida. Que sangra lentamente. Então, você se desespera. Olha para todos os lados e não encontra uma solução. Ao atingir o ápice do desequilíbrio, é que você entende que tudo isso faz parte do processo evolutivo. Cada parte arrancada de você foi feita com um único intuito, fazê-lo mais forte. Nesse momento, você está pronto para sair dessa existência medíocre. Sem expectativas, você encontrará o seu caminho. Ou simplesmente, se absterá.

Srta. Rocha

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Superficialidade


Eu cansei dessas conversas vazias
Dessas perguntas que mais parecem um interrogatório.
Não há interesse no outro
Apenas um tédio ensurdecedor.

É tão superficial que a cada resposta
Percebe-se as lacunas.
Não havendo complemento
Para se manter um diálogo.

Os monossílabos são dominantes
Assim como as expressões de alegria exagerada.
Então, você começa a conversar sozinho
Porque o outro não está nem aí para você.

Logo, o silêncio prevalece
Não faz mais sentido continuar.
A única solução é ignorar
E partir para outra.

Srta. Rocha

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Descompasso


Está inquieta. Anda de um lado para o outro. Pensamento disperso. Rabisca algumas frases sem sentido. Olha para o teto. Tenta se concentrar por alguns instantes. Mas novamente, tudo se torna um borrão. Batimentos acelerados. Respiração irregular. Movimentos descompassados. Imagens vêm e vão à sua cabeça. O corpo está cansado, no entanto, a mente não para. Deita-se. Fecha os olhos. Ouve o ar entrando e saindo de seus pulmões. Acalma-se. De repente, surge um sorriso em seus lábios. Lembra-se da última vez que estiveram juntos. Então, seu coração se aperta. Tem um pressentimento. O que será que está acontecendo? Mais um dia sem notícias. Pega o celular, contudo, desiste. Não quer incomodar. É difícil controlar. Faz parte da sua natureza se preocupar. Porém, não quer parecer possessiva. As horas passam lentamente. O sono se aproxima. Rende-se, pois já não há motivos para continuar. Apaga a luz. A esperança se foi.

Srta. Rocha

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Sufocada


Eu quero gritar! Tenho tanta coisa atravessada na garganta que me sufoca. Entretanto, algo me impede de falar. Um misto de raiva e impotência toma conta de mim. Sinto um peso enorme em meus ombros. Uma dor latejante. Fico em silêncio. Apenas observando. Compenetrada em esvaziar a minha mente. Imaginando o que aquilo pode significar. Mas é em vão. Minha hiperatividade não deixa. Quando dou por mim, estou perdida em devaneios. Estou cansada. Não durmo há noites. O sono desaparece toda vez que chego em casa. Então, sento na frente do computador e começo a escrever. As ideias surgem aos montes. Porém, não passam de frases vagas que não se encaixam no contexto da história. Nada faz sentido.

Srta. Rocha

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Aconteceu


Eu me apaixonei
Mesmo sabendo
Que não deveria

Lutei em vão
Ao tentar sufocar
O que já tinha
Tomado lugar

Ao lembrar
Do seu olhar
Me pego a pensar
Onde você está?

E o meu erro
Foi achar
Que te encontraria
Em outros braços

Porque você
Fez eu ver
O que de melhor
Eu posso ser

Srta. Rocha

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

O valor das coisas


Temos a tendência de supervalorizar as coisas ruins que acontecem em nossas vidas. Deixamos que elas nos corroam até chegarmos ao fundo do poço. Simplesmente esquecemos de todas as coisas boas que vivenciamos. Porque, algumas vezes, essa é a nossa melhor lembrança.

Estamos tão cegos, que não enxergamos a situação por completo. Vemos apenas o nosso lado, achamos que não somos merecedores de ser feliz. Colocamo-nos para baixo. Somos vítimas de nós mesmos.

Acredito que tudo acontece por algum motivo. Toda situação, por mais dolorosa que seja, tem um aprendizado por trás. Nessa vida, nada é por acaso! Claro que, muitas vezes, não percebemos qual a lição que devemos aprender. Eis que é necessário que alguém, imparcial e racional, ajude-nos. Mas acima de tudo, temos de querer ser ajudados.

Nem sempre é fácil abrir nossos corações. A dor é algo tão pessoal e intransferível que preferimos sofrer em silêncio. Compartilhar seria como admitir fraqueza. Mostrar que fomos incapazes de lidar com algo. O que não é verdade. Às vezes, estamos tão absortos no problema que não encontramos uma solução.

Então, surge alguém que te mostra uma luz no fim do túnel. Que vira a sua vida do avesso. De repente, seus dias deixam de ser cinza e se tornam coloridos. A vida, finalmente, volta a ter sentido. Porque você deixa de ser vítima e passa a ser protagonista dela. Começa a se permitir ser feliz.

Houve uma ruptura. Você ultrapassou a barreira. Escolheu valorizar o que te faz bem. E é o que muitos de nós deveríamos fazer: escolher a felicidade. Saber o valor das coisas. Que muitas vezes está onde menos esperamos!

Srta. Rocha

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Mais uma dose


Aqui estou, sentada no bar. De frente para você. Seus olhos fixos nos meus. Tento disfarçar. Abro um sorriso. Pego o copo, dou um gole. Falo sobre coisas aleatórias. Você percebe a estratégia e entra no jogo. Continuamos a beber. Mais e mais. Altas risadas. Olhares que se encontram. Então, de súbito, você me beija. Meu pensamento se perde nessa atmosfera. Não quero te deixar, mas preciso partir. Você ultrapassou a linha [...]

Srta. Rocha

sábado, 23 de janeiro de 2016

Era necessário mudar!


Era necessário mudar
Encontrar um novo jeito
Adaptar-se aos seus anseios

Era necessário mudar
Antes que tudo ficasse cinza
Pois a vida já não era mais a mesma

Era necessário mudar
Para enxergar além do óbvio
Para seguir em frente

Era necessário mudar
Buscar a paz
Deixar pra trás
Tudo que não satisfaz mais

Era necessário mudar...

Srta. Rocha

sábado, 9 de janeiro de 2016

Rótulos


Viver não é fácil, mas também não precisa ser um fardo. A vida seria tão mais simples se não a complicássemos com coisas fúteis. Perdemos tanto tempo pensando no que fazer, no que é certo ou errado que deixamos de aproveitar o que ela realmente tem a nos oferecer. Não bastasse isso, ainda temos a exacerbada necessidade de rotular tudo. Como se não fosse possível sentir se não tivesse um nome.

Nem sempre as situações precisam ser nomeadas para que tenham sentido. Muitas vezes elas têm que ser vivenciadas em nosso âmago. Os sentimentos são substantivos abstratos e como tal não tem uma explicação racional. Então, por que raios, insistimos em classificá-los? Talvez façamos isso na expectativa de controlá-los. Ou seria medo de nos deixar ser controlados? Sinceramente, eu não sei.

É claro que a culpa de sermos assim não é nossa. A sociedade em que estamos inseridos nos leva a agir desse modo. Mas é nossa responsabilidade ser diferente. Assim, antes de reclamar da vida, pense na forma como está agindo. Quantas situações desagradáveis seriam evitadas se parássemos com isso?

Viva sem expectativas. Sinta sem rótulos!

Srta. Rocha

domingo, 3 de janeiro de 2016

Algum lugar

Desenho de Guilherme Infante

Busco um refúgio
Um lugar para descansar
Libertar-me das garras
Do meu lar

Não há grades
Nem correntes
A me prender
Somente a ilusão
Do poder

Até quando ficarei
Nessa prisão?
Sendo forçada
À escuridão

E quando estiver
Livre daqui
Será que serei
Realmente feliz?

Srta. Rocha