domingo, 28 de fevereiro de 2016

Superficialidade


Eu cansei dessas conversas vazias
Dessas perguntas que mais parecem um interrogatório.
Não há interesse no outro
Apenas um tédio ensurdecedor.

É tão superficial que a cada resposta
Percebe-se as lacunas.
Não havendo complemento
Para se manter um diálogo.

Os monossílabos são dominantes
Assim como as expressões de alegria exagerada.
Então, você começa a conversar sozinho
Porque o outro não está nem aí para você.

Logo, o silêncio prevalece
Não faz mais sentido continuar.
A única solução é ignorar
E partir para outra.

Srta. Rocha

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Descompasso


Está inquieta. Anda de um lado para o outro. Pensamento disperso. Rabisca algumas frases sem sentido. Olha para o teto. Tenta se concentrar por alguns instantes. Mas novamente, tudo se torna um borrão. Batimentos acelerados. Respiração irregular. Movimentos descompassados. Imagens vêm e vão à sua cabeça. O corpo está cansado, no entanto, a mente não para. Deita-se. Fecha os olhos. Ouve o ar entrando e saindo de seus pulmões. Acalma-se. De repente, surge um sorriso em seus lábios. Lembra-se da última vez que estiveram juntos. Então, seu coração se aperta. Tem um pressentimento. O que será que está acontecendo? Mais um dia sem notícias. Pega o celular, contudo, desiste. Não quer incomodar. É difícil controlar. Faz parte da sua natureza se preocupar. Porém, não quer parecer possessiva. As horas passam lentamente. O sono se aproxima. Rende-se, pois já não há motivos para continuar. Apaga a luz. A esperança se foi.

Srta. Rocha

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Sufocada


Eu quero gritar! Tenho tanta coisa atravessada na garganta que me sufoca. Entretanto, algo me impede de falar. Um misto de raiva e impotência toma conta de mim. Sinto um peso enorme em meus ombros. Uma dor latejante. Fico em silêncio. Apenas observando. Compenetrada em esvaziar a minha mente. Imaginando o que aquilo pode significar. Mas é em vão. Minha hiperatividade não deixa. Quando dou por mim, estou perdida em devaneios. Estou cansada. Não durmo há noites. O sono desaparece toda vez que chego em casa. Então, sento na frente do computador e começo a escrever. As ideias surgem aos montes. Porém, não passam de frases vagas que não se encaixam no contexto da história. Nada faz sentido.

Srta. Rocha

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Aconteceu


Eu me apaixonei
Mesmo sabendo
Que não deveria

Lutei em vão
Ao tentar sufocar
O que já tinha
Tomado lugar

Ao lembrar
Do seu olhar
Me pego a pensar
Onde você está?

E o meu erro
Foi achar
Que te encontraria
Em outros braços

Porque você
Fez eu ver
O que de melhor
Eu posso ser

Srta. Rocha

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

O valor das coisas


Temos a tendência de supervalorizar as coisas ruins que acontecem em nossas vidas. Deixamos que elas nos corroam até chegarmos ao fundo do poço. Simplesmente esquecemos de todas as coisas boas que vivenciamos. Porque, algumas vezes, essa é a nossa melhor lembrança.

Estamos tão cegos, que não enxergamos a situação por completo. Vemos apenas o nosso lado, achamos que não somos merecedores de ser feliz. Colocamo-nos para baixo. Somos vítimas de nós mesmos.

Acredito que tudo acontece por algum motivo. Toda situação, por mais dolorosa que seja, tem um aprendizado por trás. Nessa vida, nada é por acaso! Claro que, muitas vezes, não percebemos qual a lição que devemos aprender. Eis que é necessário que alguém, imparcial e racional, ajude-nos. Mas acima de tudo, temos de querer ser ajudados.

Nem sempre é fácil abrir nossos corações. A dor é algo tão pessoal e intransferível que preferimos sofrer em silêncio. Compartilhar seria como admitir fraqueza. Mostrar que fomos incapazes de lidar com algo. O que não é verdade. Às vezes, estamos tão absortos no problema que não encontramos uma solução.

Então, surge alguém que te mostra uma luz no fim do túnel. Que vira a sua vida do avesso. De repente, seus dias deixam de ser cinza e se tornam coloridos. A vida, finalmente, volta a ter sentido. Porque você deixa de ser vítima e passa a ser protagonista dela. Começa a se permitir ser feliz.

Houve uma ruptura. Você ultrapassou a barreira. Escolheu valorizar o que te faz bem. E é o que muitos de nós deveríamos fazer: escolher a felicidade. Saber o valor das coisas. Que muitas vezes está onde menos esperamos!

Srta. Rocha

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Mais uma dose


Aqui estou, sentada no bar. De frente para você. Seus olhos fixos nos meus. Tento disfarçar. Abro um sorriso. Pego o copo, dou um gole. Falo sobre coisas aleatórias. Você percebe a estratégia e entra no jogo. Continuamos a beber. Mais e mais. Altas risadas. Olhares que se encontram. Então, de súbito, você me beija. Meu pensamento se perde nessa atmosfera. Não quero te deixar, mas preciso partir. Você ultrapassou a linha [...]

Srta. Rocha