sábado, 30 de abril de 2016

Dualidade


Eu que sempre caminhei entre abismos não imaginava que pudesse cair. Sabia dos limites. Mas não das consequências. Foi quando tudo ficou escuro. Talvez eu já tivesse indícios de que, cedo ou tarde, cruzaria a linha. Contudo, insistia em brincar com a sorte. É que os dois lados eram tão excitantes. As possibilidades que me ofereciam eram tão irrecusáveis. Contrapondo todos os pontos, era inevitável não escolher um dos dois. Eu estava cansada de nadar contra a maré. Então me deixei levar. O que eu tinha a perder? Nada! De tanto me ausentar só me restou o vazio. Agora esses ecos vagam na escuridão. Deixando apenas um borrão. Lacunas que nunca serão preenchidas. Ainda que houvessem respostas.

Srta. Rocha